Supermercado vende produto com tapuru e mofo em Manaus. Entenda o que fazer nesses casos


Cliente só percebeu que o produto estava estragado após consumir mais de 150 gramas – Fotos: Márcio Melo
Em supermercados, feiras e estabelecimentos comerciais, muitos consumidores optam em comprar um produto mais caro pensando estar adquirindo algo de qualidade. Mas nem sempre é isso que acontece. E quando essa compra envolve produtos alimentícios, aí o problema é dobrado: além do prejuízo financeiro, tem o risco à saúde.

Agora imagine você pagar R$ 60 por 350 gramas de um alimento importado, e que está dentro do prazo de validade, e após já ter saboreado mais da metade do pote, perceber larvas e mofo no produto. O que fazer numa situação dessas?

Segundo o Procon Manaus, o consumidor deve fotografar o produto estragado e, em seguida, denunciar o problema aos órgãos de defesa do consumidor e ainda a Vigilância Sanitária (Visa Manaus).

Mas um leitor do EM TEMPO, que pediu para não ter a identidade revelada, resolveu trazer um caso vivido por ele e amigos de trabalho, primeiro para a imprensa. Segundo nosso leitor, como se trata de um gênero alimentício, o caso precisava ser repercutido logo com a população.


Cliente prometeu levar a denúncia do pistache estragado ao Procon e Visa Manaus
Prometendo levar a denúncia aos órgãos de defesa do consumidor e a Visa Manaus, um senhor já acima dos 55 anos, chegou à redação com um pote de 354g de Pistache iraniano torrado e salgado. A reclamação era de que o produto estava completamente estragado. Mesmo assim, ele os colegas que consumiram o alimento, só perceberam o problema após comerem mais da metade do pistache.

“Estava cheio de tapuru”, disse o senhor apontando para os furinhos escuros dentro da amêndoa. As larvas não foram mais vistas no que sobrou dentro do pote. Mas era nítido os furos e manchas escuras, semelhante a mofo.

“Estava cheio de tapuru”

Visa Manaus

A Secretaria Municipal de Saúde informou a Vigilância Sanitária vai enviar uma equipe ao Pátio Gourmet, onde o produto foi comprado, para ver se flagram mais objetos fora das condições sanitárias e higiênicas de conservação. A Visa Manaus ainda disponibilizou o número 0800 092 0123 para denúncias. Já o Procon deixou o 08000 092 011 e email fiscalizacaoproconmanaus@pmm.am.gov.br.

Caso sejam encontradas irregularidades o estabelecimento será notificado e terá um prazo para sanar o problema sob pena de multa e até interdição, em casos mais extremos. “A Visa Manaus mantém um monitoramento de estabelecimentos e produtos e alerta que os consumidores fiquem atentos ao momento da compra para comunicar também ao estabelecimento para verificação do lote do produto”, orienta o comunicado emitido pela Semsa.



Amêndoa estava cheia de furos por onde saíram as larvas, segundo o cliente
Pátio Gourmet

Procurados, uma funcionária informou, por telefone, que o supermercado não foi procurado pelo consumidor para relatar o problema com o produto comercializado pelo estabelecimento.
A colaboradora que atendeu a reportagem ainda foi questionada sobre quais procedimentos adotados pela empresa em casos de comprovação do problema; se há o ressarcimento do cliente ou troca do produto, a mesma informou não ter autorização para tocar nesse tipo de assunto. Os contatos com o supermercado foram feitos pelos números 3090-80** e 99156-32**.

Vara do consumidor

Órgãos ligados à Defesa do Consumidor e o Tribunal de Justiça do Estado do Amazonas (Tjam) estão fortalecendo a ideia de criação da Vara Especializada na Defesa do Consumidor. A ideia foi discutida, na quarta-feira (12), na sede do Tribunal. Durante a reunião, ficou acertado que os representantes dos órgãos presentes irão elaborar um projeto, com justificativas para a criação de uma unidade judicial.
Com a criação da Vara, todos os processos envolvendo o direito do consumidor e ações coletivas, vão ser analisados por essa Vara.

Isac Sharlon
EM TEMPO

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